

O visto de nômade digital espanhol foi criado pela Ley de Startups (Ley 28/2022) e começou a funcionar em 2023. Ele permite morar legalmente na Espanha trabalhando à distância para empresas ou clientes de fora do país. Para brasileiros que já trabalham remotamente — contratados por empresa brasileira, americana ou europeia, ou como PJ — é hoje uma das portas de entrada mais diretas.
A exigência é de renda equivalente a 200% do salário mínimo interprofissional (SMI). Com o SMI de 2026 fixado em € 1.221 mensais em 14 pagamentos (€ 17.094 por ano), a conta fica assim (valores aproximados):
Um casal com um filho, portanto, precisa comprovar algo em torno de € 4.270 por mês. Como o SMI é reajustado praticamente todo ano, o valor também muda — e a exigência atualizada vale para renovações. Confira o número vigente no site do consulado ou da UGE antes de juntar os documentos.
Existem dois caminhos, e a escolha afeta prazo e duração da autorização:
Pelo consulado: você pede o visto antes de viajar, no consulado espanhol que atende o seu estado (São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Salvador e Porto Alegre têm repartições). O visto vale por até um ano; perto do vencimento, você pede a autorização de residência na UGE.
Pela UGE: a Unidad de Grandes Empresas y Colectivos Estratégicos recebe pedidos online de quem já está legalmente na Espanha. Brasileiros podem entrar como turistas por até 90 dias e, nesse período, apresentar o pedido. A resposta costuma sair em poucas semanas (o prazo legal é de 20 dias úteis, com silêncio positivo), e a autorização inicial é de três anos. Muita gente prefere esse caminho, mas ele exige chegar com toda a documentação já apostilada e traduzida.
Documentos brasileiros precisam de apostila de Haia e, se não estiverem em espanhol, de tradução feita por traductor jurado. Antecedentes criminais têm validade curta (em geral, 90 dias), então deixe para o fim.
Se você é contratado por uma empresa estrangeira, alguém precisa pagar a Seguridad Social. As opções são: a empresa se registrar na Seguridad Social espanhola (raro para empresas pequenas), você obter um certificado de cobertura do país de origem quando o convênio bilateral permitir, ou você se registrar como autônomo no RETA. Para PJs brasileiros, o mais comum é o alta como autônomo espanhol, com a tarifa plana de € 80 no primeiro ano.
Ao morar na Espanha você se torna residente fiscal e passa a pagar IRPF sobre a renda mundial. A boa notícia é que quem chega com o visto de nômade digital como trabalhador remoto assalariado pode pedir a Lei Beckham: alíquota fixa de 24% até € 600.000 durante seis anos, desde que não tenha sido residente nos cinco anos anteriores e apresente o modelo 149 em até seis meses. Autônomos com vários clientes, em geral, não se enquadram e ficam no regime geral.
Também é importante encerrar a residência fiscal no Brasil, com a Declaração de Saída Definitiva, para não ficar com obrigações nos dois países.
Cônjuge ou companheiro registrado, filhos e, em alguns casos, pais dependentes podem pedir autorização junto com o titular. O cônjuge recebe permissão para trabalhar na Espanha. Lembre de somar os percentuais de renda por familiar.
Atenção: prazos, taxas e o valor exato da renda mínima mudam. Antes de iniciar o processo, confira as instruções do consulado espanhol da sua cidade e da UGE (Ministerio de Inclusión, Seguridad Social y Migraciones). Em casos de vínculo complexo, um advogado de imigração pode evitar indeferimentos.